Joaquim Ferreira dos Santos

País de origem: Brasil
Profissão: Jornalista
Estado: Rio de Janeiro



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Joaquim Ferreira dos Santos
Por Carolyne Ferreira
Publicado em 11/01/2006

Ele iniciou a trajetória no jornalismo em 1969 e desde então já trabalhou como repórter, crítico de música, editor e até escritor. Toda semana Joaquim Ferreira dos Santos presenteia os leitores do jornal O Globo com um texto brilhante, mostrando na coluna Gente Boa tudo o que acontece na cidade.


Para começar quero saber qual foi a nota mais erótica que você já deu no jornal.
Joaquim Ferreira dos Santos: Acho que foi com você, sobre um clube de sadomasoquismo. Também dei uma nota quando você foi a um clube de swing em Copacabana. Qualquer assunto ligado ao erotismo tem muita repercussão, então os jornais gostam desse tema porque interessa muito às pessoas.

O sexo sempre desperta a curiosidade...
Joaquim Ferreira dos Santos: Tanto que tem um canal inteiro sobre isso! Quanto mais você informa e discute, mais você expõe a maneira com que as pessoas se relacionam com o sexo. Ainda mais por ser um tabu, por ser tão oculto. Você libera essa informação e vai ao clube de sadomasoquismo entrevistar os freqüentadores, mostrar o prazer deles. Isso gera um alívio para as outras pessoas, pois elas vêem que não é doença, que não tem nada de excepcional.

Agora me fale sobre o seu livro “Em busca do borogodó perdido”.
Joaquim Ferreira dos Santos: É um livro de crônicas que fala sobre sensualidade, uma sensualidade que não se perde porque se transforma. Tanto que a capa é um umbigo com piercing, é o corpo da mulher atualizado, redesenhado. O livro fala sobre essa mulher moderna e sobre a mulher mais antiga, como as vedetes dos teatros de revista que eram mais rechonchudas, mulheres que talvez hoje não fizessem tanto sucesso no Sexy Hot mas que tinham a preferência nacional na época. Então o livro fala do borogodó da mulher, do borogodó da cidade.

E o que é o borogodó?
Joaquim Ferreira dos Santos: Na verdade o borogodó é um sinônimo para várias coisas boas. Borogodó é um desejo, é uma fantasia, é a felicidade... é uma palavra que você aplica em diversos sentidos. Qual é o borogodó da mulher? Onde está o borogodó da mulher? Onde está o borogodó do Rio de Janeiro? Não é um borogodó que se perdeu pois ele se transforma. Um desaparece e surge outro. É a vida de todo mundo, essa eterna busca de um borogodó.

Vamos falar sobre dominação. O que você acha dessa prática?
Joaquim Ferreira dos Santos: Acho que vale se isso for uma coisa consensual entre as duas, quatro ou todas as pessoas que estiverem lá. Se o casal conversar, combinar e estiver a fim é bacana.

Alguma mulher já pediu pra você usar um chicote durante a relação?
Joaquim Ferreira dos Santos: Não.

E se uma mulher aparecesse com uma algema e falasse: - Põe em mim..., você colocaria?
Joaquim Ferreira dos Santos: Isso é uma coisa a se combinar, pois precisa ter clima. Não pode ser sem propósito, apenas porque ela viu numa revista, na televisão ou no canal erótico, senão tanto dominar quanto ser dominado fica artificial e broxante. Acho que tem que ter um contexto para isso.

Fale sobre um lugar interessante onde você já foi...
Joaquim Ferreira dos Santos: O jornalista tem a vantagem de poder ser curioso, de poder entrar nos lugares em que as pessoas normais não iriam. Acho que faz parte da missão do jornalista conhecer o que acontece lá. Então às vezes entro nesses lugares e tenho o álibi da curiosidade profissional. Recentemente estive num clube de swing em Copacabana e fiz uma crônica disso, além de notas no jornal. Achei muito interessante!

E o que você achou da experiência? Muitas pessoas mudam de opinião após entrarem numa casa de swing.
Joaquim Ferreira dos Santos: Acho que tinha muita gente no clube de swing apenas para ver o que era, pois as pessoas ficaram andando, observando tudo e nem todas foram para o “pega pra capá”. Achei muito interessante como observação. Havia casais que trocavam, casais que só faziam sexo entre si, que tinham ido para transar na frente dos outros sem misturar. É muito interessante porque tudo funciona dentro de regras, ninguém te agride nem te invade. Você entra no jogo se quiser, mas tem sempre que falar: - Eu posso? É tudo muito delicado e civilizado, afinal cobram 80 Reais de couvert na porta... (risos)

Lá dentro você desligou o lado jornalista e despertou o lado voyeur?
Joaquim Ferreira dos Santos: Nessas horas você nunca sabe se está sendo jornalista ou se está sendo um voyeur exercitando suas taras ocultas. Eu já me meti em várias situações parecidas e acho que é preciso ter um distanciamento da cena. Lembrei agora de quando entrevistei a atriz Sandra Breyer. Ela estava no camarim do teatro e só tinha aquela hora para falar, então fez a entrevista nua enquanto era massageada. Isso aconteceu minutos antes dela entrar no palco.

Falando em trabalho, você deve receber vários e-mails diariamente. As pessoas costumam enviar muitos vídeos sacanas?
Joaquim Ferreira dos Santos: Chega muita coisa sacana, não sacana... Recebo também muito aquele “aumente o seu pênis em cinco, dez centímetros”. Inclusive parei de receber esse e-mail e resolvi tomar isso como um elogio. (risos)

Qual foi o vídeo mais engraçado que você já recebeu?
Joaquim Ferreira dos Santos: Não lembro o que esse vídeo anunciava... Uma velhinha está em casa e de repente aparece um cara todo fortão, gostosão e começa a fazer um striptease. A velhinha vai se animando e o cara tira a cueca, mas ele tem o pau pequeno. Imediatamente a velhinha pega uma lente para olhar e confirma que é muito pequeno, então fica decepcionada. Deve ser propaganda da lente, só pode. (risos)

Muito obrigada pela entrevista!
Joaquim Ferreira dos Santos: Foi um prazer, literalmente, estar aqui.



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