Jaime Arôxa
Profissão: Dançarino
Onde nasceu: Recife, Pernambuco
Profissão: Dançarino
Onde nasceu: Recife, Pernambuco
Jaime Arôxa
Por Carolyne Ferreira
Publicado em 15/09/2005
Por Carolyne Ferreira
Publicado em 15/09/2005
Bailarino, coreógrafo e professor de dança, Jaime Arôxa criou sua própria metodologia de ensino, ao destacar a expressão dos sentimentos através do movimento. Nessa entrevista ele fala sobre sensualidade, erotismo e fetiche, ingredientes essenciais para a dança e para a vida.
Qual é a relação entre erotismo, sensualidade e a dança que sua companhia faz?
Jaime Arôxa: O tipo de dança que a gente faz aqui mostra a relação entre o homem e a mulher. A dança de salão tem a ver com essa relação, então eu uso a sensualidade e até um pouquinho de erotismo nas minhas coreografias, porque acho que uma dança sem sexo está incompleta.
Quem assiste às coreografias deve ficar com muito tesão, porque os bailarinos jogam a mulher para cima, para baixo, uma loucura...
Jaime Arôxa: Os homens têm que saber que as mulheres gostam dessas coisas, né? Pegar, jogar... não com violência, não com brutalidade, mas com um jeito gostoso e viril de pegar a mulher. Aqui a gente utiliza muito essas coisas para dançar.
Que estilo de dança que você acha mais sensual?
Jaime Arôxa: Para mim toda dança pode ser sensual, porque na verdade quem faz a sensualidade são as pessoas que estão dançando, não exatamente a dança. Se você põe um homem frio e uma mulher fria, não rola sensualidade. A proposta mais sensual (de dança) é a do zouk, por causa dos movimentos do quadril, a aproximação de um quadril no outro. É um sexo quase simulado. As danças todas visam o encontro do homem com a mulher, e isso já é sensual por si só. Acho que sensualidade é, antes de tudo, intenção. Quando você olha nos olhos do parceiro já passa sensualidade. É isso que eu ensino nas minhas aulas.
A dança é uma ótima forma de aproximação na hora da conquista, não é?
Jaime Arôxa: Acho que a dança de salão é uma das primeiras preliminares que um casal pode ter, e funciona muito bem para a aproximação. Você conhece uma garota, vai dançar com ela, começa a namorar... até chegar na cama.
Agora entrando em outro assunto, queria saber se você gosta de literatura erótica.
Jaime Arôxa: Gosto muito. Gosto mais de poesia do que de romance. Literatura erótica é algo que eu gostaria de fazer, mas não tenho talento para escrever. A obra do Nelson Rodrigues está pontuada de erotismo o tempo inteiro, então trabalho muito com os textos dele no teatro. Se a gente parar para pensar, vai ver que tudo começou com as narrativas eróticas, os escritos. Quem tiver um tempinho para ler vai perceber como é interessante, até mesmo para descobrir formas poéticas de falar sobre carne, sobre sexo.
Além disso esse é um universo muito gostoso...
Jaime Arôxa: O universo do sexo é algo que eu tenho como lema de vida. Acho que há três forças no mundo: a fúria, a fé e o sexo. Eu preciso ter o sexo à flor da pele para poder ser competitivo, para poder ser criativo, então acho que não é só deitar na cama e fazer sexo. Sexo é uma forma de viver, de pensar, de agir.
Os pés têm um papel muito importante na dança. Você acha que eles carregam um certo fetiche?
Jaime Arôxa: Eles são uma das partes do corpo mais bonitas, admiradas e escondidas na maioria das vezes. Esse fetiche não é muito revelado, mas se expressa nos sapatos, nas linhas dos pés. As bailarinas geralmente têm pés feios, pois eles sofrem muito para poder ter toda a força necessária. Em compensação adquirem linhas muito lindas. Eu acho que o corpo da mulher é todo maravilhoso, todo lindo. Se você quiser tirar uma semana para se dedicar apenas aos pés, vai descobrir muita coisa interessante... (risos)
Na cama você gosta de explorar os pés da sua parceira?
Jaime Arôxa: Gosto. Gosto de pé, gosto de tudo. Não vou dizer que existe uma parte que eu prefira, mas para o cara ser completo ele tem que explorar todo o corpo da parceira. Se eu vou da pontinha do pé até a cabeça, de vez em quando demoro um pouquinho mais na ponta do pé... (risos)
Confesse uma coisa: você é voyeur?
Jaime Arôxa: Acho que todo mundo tem um pouco de voyeur, ainda mais com sexo. O “ver” estimula muito, ainda mais para o homem. A mulher é mais auditiva, eu acho. Elas se excitam mais ao ouvir o que a gente fala. Eu não vou negar para você que gosto de ver. Sou até assinante do Sexy Hot e não tenho vergonha nenhuma de dizer que gosto de ver sexo. Acho plástico, acho a nudez bonita. Eu trabalho com movimento, com a estética do corpo e não sou hipócrita. Acho que quando a gente fala de sexo, a gente tem que assumir a nossa natureza. A minha natureza é sexual e eu assumo isso. Fiquei muito mais feliz a partir do dia em que assumi que eu era um ser sexual e que gostava de sexo. A partir daí você gosta de ver, de falar, de desenhar, de tudo o que é relacionado ao sexo.
Qual dos cinco sentidos você mais usa na cama?
Jaime Arôxa: A visão é um dos sentidos que mais uso durante o sexo.
Jaime, muito obrigada pela entrevista.
Jaime Arôxa: Parabéns pelo sucesso! Acho muito bom que as pessoas estejam abrindo a cabeça, encarando o sexo como algo natural, saudável e que completa a sua felicidade. Um beijo para todos.
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